sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Igreja sem rabo preso

Igreja sem rabo preso Definitivamente, não há posição mais confortável do que a proporcionada pela isenção. Não ter rabo preso com ninguém, nem tampouco estar comprometido ideologicamente, me oferece as condições necessárias para poder avaliar cada candidatura e suas respectivas propostas sem paixões desmedidas. Comprometi-me com a minha consciência de que não usarei minha influência e liderança para induzir quem quer que seja a votar nesta ou naquela candidatura. Por mais que me sinta atraído por uma ou outra, não sairei em sua defesa. Mas não posso fazer vista grossa com os argumentos usados por alguns líderes para convencer os membros de sua igreja a apoiar seus candidatos. Um dos mais usados é o que usa o exemplo de José de Arimatéia, membro do Sinédrio, que intercedeu junto a Pilatos para que liberasse o corpo de Jesus para ser sepultado. Não fosse sua intervenção, o corpo de Jesus teria tido destino semelhante aos dos outros crucificados: apodreceria na cruz até ser comido por urubus. De igual modo, a igreja, Corpo Místico de Cristo, necessitaria de quem representasse seus interesses nas esferas de poder. Primeiro, não somos um corpo inanimado, um cadáver, como era, então, o corpo de Jesus. Não precisamos de quem nos carregue, nem mesmo de quem nos proteja. Estamos assentados nos lugares celestiais em Cristo, muito acima de qualquer autoridade, seja terrena ou espiritual (Ef.2:6). A posição de Advogado da igreja já está devidamente ocupada. Quem defende nossa causa é Cristo! Ademais, a igreja não carece de quem a enterre, lançando uma pá de cal sobre a sua credibilidade e relevância. Segundo, precisamos de quem defenda o direito do pobre, dos excluídos, dos desfavorecidos deste sistema iníquo, e não de quem faça lobby em favor dos interesses eclesiásticos. Leia atentamente: "Abre a tua boca a favor do mudo, a favor do direito de todos os desamparados. Abre a tua boca; julga retamente, e faze justiça aos pobres e aos necessitados." Provérbios 31:8-9 O sucesso da igreja no cumprimento de sua missão não depende da intervenção ou ajuda do Estado. Pelo contrário, ela geralmente prospera mais onde o Estado lhe faz oposição. Veja o exemplo da China, onde a igreja mantém-se na clandestinidade, reunindo-se em salas subterrâneas. Em nenhum outro lugar ela tem crescido tanto. Quando Paulo se viu perante as autoridades do seu tempo, ele não fez lobby pela igreja, mas deu testemunho da verdade do Evangelho. “Nada podemos contra a verdade, senão em favor da verdade” (2 Co.13:8), dizia ele. Era em defesa do evangelho, e não da igreja, que o apóstolo militava (Fp.1:17). Que Deus levante em nossos dias líderes e cristãos comprometidos com o Reino e com a causa dos necessitados, mesmo quando isso representar qualquer prejuízo às instituições a que chamamos de igrejas. Não se trata de adotar uma postura apolítica, e sim de não se comprometer com qualquer partido ou ideologia. Que jamais saiamos em defesa deste ou daquele regime. Fomos chamados por Deus para pregar o Seu Reino e a Sua Justiça. É sempre preferível nos manter numa posição de total isenção, que nos dará condição moral de denunciar as mazelas de qualquer que seja o sistema político. Sem esta isenção, perdemos a eficácia profética no mundo. Foi este tipo de isenção que deu a Jesus a condição moral de elogiar um centurião romano por sua fé, sem com isso endossar o domínio imperial. Sem isenção, João Batista jamais poderia denunciar os erros praticados por Herodes. Nem presentes ou privilégios oferecidos pelo monarca eram capazes de calá-lo. Não foi à toa que sua cabeça acabou num prato. Um profeta que não se vende vale mais do que a metade de um reino (Mc.6:23), em contrapartida, o que tem sua alma etiquetada não vale coisa alguma. Bem faríamos em dar ouvidos à advertência de Jesus a Seus discípulos: “Guardai-vos do fermento dos fariseus e do fermento de Herodes” (Mc.8:15). O fermento é o recurso usado para promover o crescimento rápido da massa. Todavia, o que se vê ali não é, de fato, crescimento, mas, tão somente inchação. Uma das principais razões pelas quais alguns se rendem ao assédio dos poderosos é o desejo de atrair para si os holofotes e alcançar relevância política. Em nome disso, conchavos são celebrados, sejam com os fariseus ou com Herodes, com os rótulos religiosos/doutrinários ou com os rótulos políticos/ideológicos. E assim, a massa inteira fica comprometida. Basta uma pitada de fermento para levedá-la por completo (Gl.5:9). No afã de obter a atenção dos novos Herodes, marchas e eventos que visam demonstrar nossa força são promovidos. Multidões nas ruas são sinônimo de capital político, poder de barganha. Seria ingênuo imaginar que o objetivo de tais concentrações seja a evangelização ou mesmo a glória de Deus. Como a enteada de Herodes, o que se almeja é seduzi-lo com sua dança insinuante. Depois de deixá-lo encantado, poderemos pedir dele o que bem entendermos: riquezas, influência, cargos, privilégios, concessões, e até a cabeça de algum desafeto. O que muitos líderes parecem desconhecer é que a proposta do reino vai totalmente na contramão de tudo isso. A massa na qual Deus está trabalhando é completamente nova e dispensa qualquer fermento. Por isso, Paulo é tão incisivo ao ordenar: “Lançai fora o fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como sois sem fermento. Pois Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós. Pelo que celebremos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade” (1 Co. 5:7-8). A esposa de Cristo não pode ser teúda e manteúda de Herodes. Mesmo um descomprometido flerte pode invalidar nosso testemunho e nos colocar numa posição constrangedora. Ao aproximar-nos de um segmento, estaremos nos distanciando daquele que lhe faz oposição. Hoje, são adversários. Amanhã, aliados. Meter-se em briga política é como tomar partido por um dos cônjuges quando se divorciam. Se eventualmente retornarem, adivinha quem ficará mal na história? Herodes e Pilatos eram inimigos políticos. Ambos estavam sob a autoridade de César, mas não se bicavam. Querendo livrar-se da responsabilidade de julgar um rabi que gozava de boa popularidade, Pilatos enviou Jesus a Herodes, alegando que, por ser galileu, estava em sua jurisdição. O monarca fantoche de Roma divertiu-se à custa de Jesus. Pediu que lhe fizesse um sinal. Fez-lhe perguntas. Porém, em momento algum Jesus correspondeu às suas expectativas. Não querendo ficar mal com os sacerdotes, nem com o povo, Herodes enviou Jesus de volta a Pilatos. Isso soou para o governador da Judeia como o reconhecimento de sua autoridade. Resultado: “Nesse mesmo dia Pilatos e Herodes tornaram-se amigos” (Lc.23:12). Quantas vezes já não vimos acontecer coisa semelhante no cenário político nacional? Os adversários de hoje, tornam-se aliados amanhã. Quem xingou o outro de ladrão em rede nacional, agora compõe chapa com o mesmo. Alianças esdrúxulas são feitas, minando assim o que restou de credibilidade na classe política. Se ao menos fossem frutos da consciência, seriam mais digeríveis, mas pelo que se constata, são frutos da conveniência. Tão logo passe a oportunidade eleitoreira, voltam a ser o que sempre foram: inimigos. A recente amizade entre Herodes e Pilatos não fez a menor diferença para Jesus que se manteve neutro em todo o tempo. Em momento algum Jesus esfregou Sua popularidade na cara deles, afim de colher algum benefício. Ele bem que poderia ter dito algo do tipo: Vocês viram a multidão gritando meu nome? Tenho capital político para enfrentá-los e derrubá-los. Em vez disso, Ele disse: “O meu reino não é deste mundo, se fosse, os meus servos lutariam para impedir que os judeus me prendessem. Mas agora o meu reino não é daqui” (Jo.18:36). A falta de isenção nos expõe a saias justas como a do profeta Natan, que após incentivar a Davi a dar continuidade ao seu projeto de construção do templo, foi ordenado por Deus a retornar ao palácio para dizer que não seria ele que o edificaria, mas aquele que depois dele viria, isto é, seu filho Salomão (2 Sm.7:1-13). Imagine como deve ter sido difícil para o mesmo profeta chamar a atenção de Davi quando pecou! Natan teve que apelar para uma parábola, em vez de ser direto, curto e grosso (2 Sm.12:1-7). Tudo isso devido ao seu comprometimento. A igreja cristã tem que ser voz profética no mundo, e para tal, usando um português mais claro, não pode ter rabo preso com ninguém. Somente assim, teremos autonomia para dizer o que pensamos. O que for bom, a gente aplaude. O que for ruim, a gente denuncia. Venha de onde vier!

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Onde está Deus quando os desastres naturais acontecem?


Em tempos de desastres naturais tais como terremotos, tsunamis, enchentes e tornados, surgem debates a respeito da relação que Deus tem com esses acontecimentos. Lembro-me dos terremotos no Haiti onde a blogosfera foi tomada por vários “porquês” disso, “porquês” daquilo. E o terremoto do Chile? A mesma ladainha: “onde está Deus que não vê isso?”, “onde está Deus que não vê aquilo?”. Sem falar nos desastres naturais que ocorrem em terras brasileiras como as enchentes no Nordeste, em Santa Catarina e no Rio de Janeiro. Deus é sempre questionado, gerando dúvidas com respeito a seu controle sobre a criação.

Agora a discussão ressurge com os recentes desastres de terremotos e tsunamis no Japão. Além disso, declarações do teísta aberto Ricardo Gondim abalaram a blogosfera com suas declarações antibíblicas e caóticas. Antibíblicas porque vai de encontro ao que a Bíblia fala a respeito do relacionamento de Deus com sua criação, que é uma relação íntima e que mantém controle sobre tudo. Caótica porque suas declarações pregam um conceito de um mundo desordenado, sem controle e desesperançoso a respeito de desastres naturais.

É desesperador saber que nós não temos nenhuma garantia de que o mundo não sucumba numa confusão geral dos elementos da matéria. A desordem é a única e terrível expectativa daqueles que acreditam em um Deus distante da sua criação, ou no mínimo, presente porém incapaz e impotente (ou pelo menos se nega a ser onipotente) em garantir o equilíbrio das ações da natureza.

Qual é mesmo a relação de Deus com sua criação? Existe mesmo um relacionamento ou Ele está divorciado dela? E se há um relacionamento, até que ponto vai esse relacionamento? Há algum controle? São essas as perguntas que irei tentar responder à luz da Bíblia.

A Bíblia desconhece o deus dos teólogos relacionais, cuja teologia nega a onipresença, a onipotência e a onisciência de Deus. A Bíblia fala exaustivamente na existência de um Deus presente em todos os lugares ao mesmo tempo, Poderoso sobre tudo e todos e que tem um conhecimento infinito de todas as suas criações. Deixaremos de lado, por hora, o assunto sobre a Onisciência e a Onipresença e trataremos apenas do ensinamento bíblico do controle que Deus tem sobre sua criação, mas especificamente sobre a matéria inanimada.

Deus tem o controle sobre a matéria inanimada

Respondendo à pergunta do título deste artigo, Deus está bem presente quando os desastres naturais acontecem. Ele não somente está presente, mas administra todos os eventos da matéria inanimada. A matéria, mesmo sendo inanimada (objeto sem vida, sem ânimo), existe para obedecer aos mandamentos e ordens de Deus. Isso é evidenciado já nos primeiros registros bíblicos da revelação divina:


Disse Deus: Haja luz; e houve luz. (...) Disse também Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num só lugar, e apareça a porção seca. E assim se fez. (...) E disse: Produza a terra relva, ervas que dêem semente e árvores frutíferas que dêem fruto segundo a sua espécie, cuja semente esteja nele, sobre a terra. E assim se fez. (Gn 1.3,9,11).
O que se afirma nos primeiros capítulos de Gênesis é confirmado por toda a Bíblia. Veja a declaração do salmista: “Pois ele falou, e tudo se fez; ele ordenou, e tudo passou a existir” (Sl 33.9).

Quando Deus diz que vai usar dos elementos da natureza para executar sua vontade, Ele está afirmando que tem controle sobre eles e que eles são agentes de Deus na execução da sua vontade. Veja, por exemplo, a autoridade de Deus sobre as águas:


Porque estou para derramar águas em dilúvio sobre a terra para consumir toda carne em que há fôlego de vida debaixo dos céus; tudo o que há na terra perecerá (Gn 6.17).
Se tudo o que Ele fala, se faz, então...


No ano seiscentos da vida de Noé, aos dezessete dias do segundo mês, nesse dia romperam-se todas as fontes do grande abismo, e as comportas dos céus se abriram, e houve copiosa chuva sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites (Gn 7.11,12).
Deus disse que derramaria água sobre a terra. Ele não apenas ameaçou, mas cumpriu o que disse mostrando que Ele tem o controle sobre a água que só cai em forma de chuva quando e onde Ele quiser.

E o que dizer do controle de Deus sobre as pragas no Egito? Bastou uma única ordem dEle para a luz se transformar em trevas, o rio em sangue, chover granizo, a ação dos gafanhotos, a morte por todo o Egito. Cada detalhe, cada ação da natureza meticulosamente calculada, agindo exatamente numa região delimitada pelo próprio Deus para que essas pragas não chegassem na região onde estava o seu povo. Sim, até mesmo o local da ação das pragas foi claramente delimitada por Deus! Tudo isso demonstra o absoluto controle de Deus sobre os elementos da natureza:


E Moisés estendeu o seu bordão para o céu; o SENHOR deu trovões e chuva de pedras, e fogo desceu sobre a terra; e fez o SENHOR cair chuva de pedras sobre a terra do Egito. De maneira que havia chuva de pedras e fogo misturado com a chuva de pedras tão grave, qual nunca houve em toda a terra do Egito, desde que veio a ser uma nação. Por toda a terra do Egito a chuva de pedras feriu tudo quanto havia no campo, tanto homens como animais; feriu também a chuva de pedras toda planta do campo e quebrou todas as árvores do campo. Somente na terra de Gósen, onde estavam os filhos de Israel, não havia chuva de pedras. (Êx 9.23-26).
Veja também a maravilhosa descrição do total controle de Deus na nona praga:


Então, disse o SENHOR a Moisés: Estende a mão para o céu, e virão trevas sobre a terra do Egito, trevas que se possam apalpar. Estendeu, pois, Moisés a mão para o céu, e houve trevas espessas sobre toda a terra do Egito por três dias; não viram uns aos outros, e ninguém se levantou do seu lugar por três dias; porém todos os filhos de Israel tinham luz nas suas habitações. (Êx 10.21-23).
Temos também a descrição do controle divino sobre o fogo:


Então, fez o SENHOR chover enxofre e fogo, da parte do SENHOR, sobre Sodoma e Gomorra. (Gn 19.24).
Deus ordenou e as águas do mar Vermelho se dividiram ao meio, de modo que os israelitas o atravessaram em terra seca. De novo, Ele ordenou e as águas retrocederam, destruindo os egípcios que perseguiam os israelitas. Com uma palavra da parte dEle, a terra abriu-se e Coré e sua companhia de rebeldes foram engolidos. A fornalha de Nabucodonosor foi aquecida "sete vezes" além de sua temperatura normal, e três dos filhos de Deus foram lançados ali; mas o fogo nem sequer lhes chamuscou as roupas, apesar de ter morto os soldados que os lançaram naquele temível lugar.

O Novo Testamento também testifica do poder de Deus sobre os elementos da criação. Vemos Jesus Cristo acalmando uma tempestade dando ordens ao vento e ao mar:

E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O vento se aquietou, e fez-se grande bonança. (Mc 4.39).
Jesus ainda andou sobre o mar. Bastou uma palavra de Jesus e a figueira murchou e ao seu toque as enfermidades fugiam instantaneamente. Jesus demonstrou uma infinita habilidade com os elementos da natureza provando o seu absoluto controle sobre a criação inanimada.

E o que dizer dos corpos celestes? O governo divino sobre eles é igualmente soberano. Hoje sabemos que a terra gira em torno do sol, nos dando as quatro estações e determinando os dias dos anos. Sabemos também que há um movimento que faz a terra girar sobre o seu próprio eixo, nos dando as vinte e quatro horas do dia. Por que estou dizendo isso? Por que há um relato em 2 Reis de Deus retrocedendo a rotação da terra, fazendo com que a sombra no relógio de sol de Acaz retroceda dez graus para trás:


Ezequias disse a Isaías: Qual será o sinal de que o SENHOR me curará e de que, ao terceiro dia, subirei à Casa do SENHOR? Respondeu Isaías: Ser-te-á isto da parte do SENHOR como sinal de que ele cumprirá a palavra que disse: Adiantar-se-á a sombra dez graus ou os retrocederá? Então, disse Ezequias: É fácil que a sombra adiante dez graus; tal, porém, não aconteça; antes, retroceda dez graus. Então, o profeta Isaías clamou ao SENHOR; e fez retroceder dez graus a sombra lançada pelo sol declinante no relógio de Acaz. (2Rs 20.8-11).
Isaías pergunta a Ezequias se ele quer como sinal o adiantamento da sombra do sol. Ezequias responde que esse adiantamento da sombra já era um curso normal. Daí ele pede o mais difícil: que a sombra volte para trás. Que absurdo! O que Ezequias pede é que a terra gire para trás fazendo um movimento ao contrário do que ele já faz. Mas Deus como sendo Soberano sobre os astros celestes que Ele mesmo criou, fez exatamente isso. Pelo seu poder ordenou que a terra girasse no sentido contrário, provocando o retrocesso da sombra no relógio de Acaz.

Esse relato de Deus ordenando um movimento improvável da terra não é único na Bíblia. Há um outro relato onde Deus ordena a terra que simplesmente pare de girar. É isso mesmo. A terra parou de girar por uma ordem de Deus. Veja:

Então, Josué falou ao SENHOR, no dia em que o SENHOR entregou os amorreus nas mãos dos filhos de Israel; e disse na presença dos israelitas: Sol, detém-te em Gibeão, e tu, lua, no vale de Aijalom. E o sol se deteve, e a lua parou até que o povo se vingou de seus inimigos. Não está isto escrito no Livro dos Justos? O sol, pois, se deteve no meio do céu e não se apressou a pôr-se, quase um dia inteiro. Não houve dia semelhante a este, nem antes nem depois dele, tendo o SENHOR, assim, atendido à voz de um homem; porque o SENHOR pelejava por Israel (Js 10.12-14).
Josué suplicou ajuda divina no combate contra os amorreus. Provavelmente Josué percebeu que a batalha entraria para a noite, o que dificultaria bastante nessa batalha. Poderíamos achar algo absurdo o que Josué pediu, mas para Deus que controla os astros celestes nada é impossível. O sol e a lua pararam de girar. De acordo com o conhecimento que temos hoje, foi a terra que parou de girar juntamente com a lua.

Há ainda mais um relato impressionante de Deus agindo e controlando os elementos da natureza. Trata-se do seguinte texto:


Disse Gideão a Deus: Se hás de livrar a Israel por meu intermédio, como disseste, eis que eu porei uma porção de lã na eira; se o orvalho estiver somente nela, e seca a terra ao redor, então, conhecerei que hás de livrar Israel por meu intermédio, como disseste. E assim sucedeu, porque, ao outro dia, se levantou de madrugada e, apertando a lã, do orvalho dela espremeu uma taça cheia de água. Disse mais Gideão: Não se acenda contra mim a tua ira, se ainda falar só esta vez; rogo-te que mais esta vez faça eu a prova com a lã; que só a lã esteja seca, e na terra ao redor haja orvalho. E Deus assim o fez naquela noite, pois só a lã estava seca, e sobre a terra ao redor havia orvalho. (Jz 6.36-40).
Gideão queria uma “prova” de que Deus realmente livraria Israel dos midianitas. Gideão teve uma idéia: colocar um pedaço de lã no chão e pedir a Deus que o orvalho da noite caia somente em cima da lã e a terra fique seca. Deus, como tendo o controle da natureza, inclusive do orvalho, fez exatamente isso. Achando pouco, Gideão agora pede para que o orvalho caia por toda a terra e a lã fique seca. E vemos que Deus fez exatamente isso. Isso prova que Deus tem o total controle sobre os elementos da natureza, até mesmo controle do sereno!


Ele envia as suas ordens à terra, e sua palavra corre velozmente; dá a neve como lã e espalha a geada como cinza. Ele arroja o seu gelo em migalhas; quem resiste ao seu frio? Manda a sua palavra e o derrete; faz soprar o vento, e as águas correm. (Sl 147.15-18).
As mudanças nos elementos da natureza estão sujeitas ao controle soberano de Deus. É Deus quem retém a chuva e quem a dá, quando, onde, conforme e sobre quem Lhe apraz. Até mesmo os distúrbios atmosféricos são controlados pelo dedo de Deus.

Além disso, retive de vós a chuva, três meses ainda antes da ceifa; e fiz chover sobre uma cidade e sobre a outra, não; um campo teve chuva, mas o outro, que ficou sem chuva, se secou. Andaram duas ou três cidades, indo a outra cidade para beberem água, mas não se saciaram; contudo, não vos convertestes a mim, disse o SENHOR. Feri-vos com o crestamento e a ferrugem; a multidão das vossas hortas, e das vossas vinhas, e das vossas figueiras, e das vossas oliveiras, devorou-a o gafanhoto; contudo, não vos convertestes a mim, disse o SENHOR. Enviei a peste contra vós outros à maneira do Egito; os vossos jovens, matei-os à espada, e os vossos cavalos, deixei-os levar presos, e o mau cheiro dos vossos arraiais fiz subir aos vossos narizes; contudo, não vos convertestes a mim, disse o SENHOR. (Am 4.7-10).
Diante de tudo isso que vemos nas Escrituras Sagradas, a única conclusão que extraio é: Não! Deus não está ausente da criação. Deus não está longe! Ele está perto. Mas do que isso, Ele tem o controle total e soberano sobre a sua criação, administrando as ações de cada elemento da natureza desde o orvalho até o sol.Deus governa a matéria inanimada. A terra, o ar, o fogo, a água, o granizo, a neve, os ventos, os mares, todos cumprem a palavra do seu poder e executam a sua soberana vontade.

Todo aquele que intentar imaginar que Deus não possui ou que se absteve de possuir controle total das ações da natureza, incorrerá num seríssimo desvio doutrinário e isso tem consequências desastrosas, pois se na teologia de uma pessoa não há espaço para um controle providencial de Deus sobre tudo, sua vida sofrerá as devidas consequências que são a falta de confiança e de esperança em situações de desastres naturais como temos visto no Japão e em tantos outros lugares.

Mesmo em meio de tantas tragédias, o meu coração ainda se acalma no Senhor sabendo que Ele está no controle de tudo e que nada fugirá ao seu controle. Que o deus de Gondim e de tantos outros seja destruído por causa da insuficiência do seu poder e pela inabilidade e impotência de suas mãos, por que o meu Deus, o Deus da Bíblia, esse sim é Poderoso para manejar com suas mãos toda a Sua criação nos dando esperança e confiança de um mundo organizado e controlado.

Autor: Heitor Alves,
Deus ainda fala hoje em dia com as pessoas através de sonhos? Você pergunta:Já têm umas duas semanas que estou sonhando que estou separando do meu marido. Nos últimos sonhos eu ainda quebrava as nossas alianças em pedaços com muita violência. Seria isso um aviso de Deus para minha vida? Deus ainda fala com seus servos através dos sonhos? Cara leitora, o campo dos sonhos é um dos mais misteriosos e fascinantes que existe. No campo da ciência, mesmo os cientistas especialistas em estudos da mente, mais especificamente os que estudam a oneirologia (ciência que estuda os sonhos), divergem em muito a respeito do porque sonhamos e o que esses sonhos significam. Deus ainda fala hoje em dia com as pessoas através dos sonhos? No campo espiritual, os cristãos logo são apresentados na Bíblia Sagrada a diversos personagens que sonharam e que receberam de Deus mensagens e profecias através de seus sonhos. Um Exemplo bíblico clássico do falar de Deus por sonhos foi José do Egito, que sonhou sobre acontecimentos que ocorreriam muitos anos mais tarde em sua vida e da sua família (Gn 37.6-10). Talvez por isso muitos cristãos fiquem desesperados quando têm algum sonho mais estranho, achando logo que Deus está falando algo a eles. Baseado nas dificuldades de compreendermos bem a questão dos sonhos e do falar de Deus através deles, creio que seja necessário que façamos algumas considerações para que possamos ter um pensamento equilibrado a respeito dos sonhos: (1) É bastante claro na Bíblia Sagrada que Deus falou muitas vezes a muitas pessoas através de sonhos (José do Egito, Daniel, Ezequiel, João, etc.). Não vejo na Bíblia qualquer indicativo de que Deus não possa mais falar algo hoje em dia para alguém através de sonhos. É claro que cremos que a revelação de Deus infalível é a Bíblia Sagrada, ou seja, não existem mais sonhos com o “status” de revelação infalível como vemos na Bíblia como, por exemplo, no caso de Daniel (Daniel 7) (2) Deve-se ter em mente que quando Deus falou em sonhos na Bíblia Sagrada foi sempre de forma especifica, com objetivos específicos e através de pessoas escolhidas. Não temos a menção de Deus falando com todo mundo através de todos os sonhos e de forma banalizada. Assim, Deus falar através de sonhos era uma exceção e não uma regra. Não acontecia o tempo todo, mas em situações especiais. (3) Dessa forma, a maioria dos sonhos são apenas criações de nossa mente sem qualquer sentido ligado ao falar de Deus. Nossa mente pode usar nossos medos, estresses, dores, ansiedades, desejos, experiências, traumas, etc. e criar sonhos dos mais diversos (isso a ciência já conseguiu provar). Assim, nem sempre devemos dar muita importância para os sonhos que sonhamos. A maioria deles não tem qualquer ligação com mensagens de Deus ou com acontecimentos proféticos. (4) Na hipótese de você acreditar que Deus possa estar falando algo com você através dos sonhos, creio que o que Ele está “falando” deva estar dentro da revelação maior que é a própria palavra Dele, a Bíblia. O melhor a fazer e refletir e meditar em tudo aquilo que se sonhou, sem desespero. Se conseguir achar algum significado, aplique em sua vida. Se não conseguir, apenas descanse no cuidado de Deus. (5) Existem ainda aqueles sonhos que não fazem o menor sentido. Ou seja, não conseguimos atribuir qualquer significado a eles. Nesse caso, o melhor é não ficar impressionado, mas entregar toda a situação ao Senhor. Isso porque Deus não é um Deus de confusão (1 Co 14.33). Se algo vier Dele para você, seja através de sonhos ou de outra forma, Ele te fará entender aquilo que é para se entender no tempo certo. Não há motivo para entrar em pânico. Descanse em Deus.