quinta-feira, 28 de julho de 2011

Eu era um hooligan

Alô, meu nome é Jean e eu era um hooligan. A realização em minha vida era estragar aquilo que outros haviam construído. Aquilo que era motivo de alegria para os outros, para mim era um espinho no olho.
Minha vida era repleta de fracassos, seja na escola ou na profissão. Em todos os lugares eu era “chutado” pois não produzia nada.
Além disso eu ainda tinha problemas com minha dupla nacionalidade (greco-alemã). Eu não sabia quem eu era, nem a quem pertencia. Eu não era alemão, nem grego e me sentia bastante solitário no planeta. Eu sempre pensava: ninguém tem tanto azar como eu e todos tem vida melhor do que a minha.
Mais tarde, no final dos anos 70, quando os punks e os skinheads surgiram em Munique, me senti atraído por eles. Comecei a me informar sobre eles e decidi juntar-me aos skinheads (cabeças raspadas). Não interessava quem você era, o principal era ser desordeiro.
Despertou em nós a preferência por estádios de futebol. O que menos importava era o jogo em si, mas interessava o ambiente: a atmosfera, a ação, os excessos, etc. – tudo com certa covardia, porque normalmente éramos a maioria. Tudo começou a girar em torno do futebol, em minha vida – assim tornei-me um hooligan.
No início era muito legal, sem lei, sem trabalho e sem mais compromissos: simplesmente fazer o que eu queria. Mas com o tempo isso também deixou de ser novidade.
Eu também imaginava que não poderia ser assim para sempre. A vida não poderia se resumir a estádios e desordens.
Não havia mais perspectiva para meu futuro. A vida deveria ser algo mais do que eu havia experimentado até agora. Eu não tinha nenhuma vontade de terminar como diz na canção de Janis Joplin: “Viva uma vida breve, intensiva e morra jovem”. Eu queria ficar velho, ter uma família, etc.

Mas eu não fazia idéia como conseguir isso. Eu não tinha nada. Não tinha formação profissional, não concluí os estudos, sem habilitação de motorista, nem tinha lugar para morar. Eu ficava um dia em um lugar, outro dia em outro. Assim eu levava a vida, às vezes depressivo, outras vezes agressivo, dependendo da droga que havia tomado (haxixe ou álcool), mas sempre sem destino e sentido.
Antes de completar 18 anos fui preso após ter praticado um furto na rua. Fiquei 20 meses fora de circulação. Nesse período eu tive oportunidade de refletir. Após minha liberação eu queria começar vida nova.
Saí da prisão com novas idéias e motivações, porém, mal eu estava livre e já fui alcançado novamente pelo meu passado – eu era novamente o “velho”. Não, eu agora estava pior do que antes! Ouvindo as histórias de meus amigos sobre tudo o que havia acontecido nesse período, senti um desejo incrível de recuperar o “atraso” o quanto antes. Com isso, após cinco meses de liberdade, peguei mais 16 meses de xadrez.
Agora desapareceu a última fagulha de esperança de poder começar uma vida normal, novamente. Resolvi jogar fora os padrões morais quando saísse da prisão, para fazer tanta grana quanto pudesse, não interessava como iria consegui-la.

Eu estava cheio de andar por aí, feito idiota, com bolso e coração vazios e, por fim, ficar atrás das grades. Estava me afundando cada vez mais, mas, em meio aos meus novos planos, eu tive um encontro decisivo: Deus entrou em minha vida.
Toda vez que eu estava deitado em minha cela, pensando no futuro, eu tinha a sensação – como acontece em alguns sonhos – de estar despencando de uma montanha e, pouco antes de bater no fundo, acordava num sobressalto.
Essa cena aparecia muitas vezes até que, certo dia, houve uma mudança. Toda vez que me sentia caindo, eu não chegava mais até o fundo do abismo, mas aparecia um galho, que saía do barranco. Ele era suficientemente fino, para que eu pudesse agarrá-lo nele e suficientemente forte, para que pudesse me sustentar.
Segurei o galho e, com o embalo da queda, eu balançava para cima e para baixo. Toda vez que eu chegava no ponto mais baixo, havia uma gruta na montanha, na qual eu enxergava uma manjedoura com Jesus, com tudo mais ao redor. Confesso que não entendi nada. Alguns meses mais tarde, porém, eu percebi o que esse “sonho” significava.
Em todo o caso, comecei a meditar sobre Jesus, tentando lembrar-me das coisas que já tinha ouvido sobre Ele. Eu até orava, uma ou outra vez. A idéia e o desejo de conhecer a Deus foi crescendo, mas eu não sabia como isso poderia se realizar.
Deus me parecia estar muito longe e a Bíblia, para mim, era um livro com sete selos. Além disso eu não sabia se Deus se interessaria por mim. Em todo o caso, até agora eu tinha vivido contra os princípios de Deus e era dono do meu nariz.
Fui transferido para uma outra prisão e lá um dos encarregados me convidou para participar de uma reunião de estudo bíblico e eu aceitei. Ali eu aprendi muito sobre Deus e Seu filho Jesus Cristo. Descobri que somos pessoas pecadoras e que estamos maduras para alcançar o inferno. Para mim ficou claro que, se é que existe um Deus, o meu destino seria o inferno.
Mas também descobri algo grandioso, ou seja, que Jesus, o Filho de Deus, veio para pagar pelos nossos pecados na cruz. Uma obra total e completamente de graça para nós. Percebi também que, se eu quisesse, Ele me transformaria em uma pessoa renovada. Sobre isso eu queria saber mais e aceitei a Sua dádiva do perdão, pela fé. Eu orei convidando-O a entrar em minha vida e pedi que Ele me transformasse em uma nova pessoa. Após essa oração eu não senti nada de especial, nenhuma sensação ou algo “extra sensorial”. Mas eu senti que havia algo “diferente”, sem saber explicar o que era realmente.
O agente carcerário informou-me o endereço de uma igreja, que eu poderia freqüentar após minha liberação. Até hoje eu participo dela.
Sou grato ao meu Senhor Jesus Cristo pela minha vida, de todo o meu coração. Devo tudo a Ele: minha família (a esposa e dois filhos), minha profissão e tudo o mais que Ele me concede. O que eu julgava impossível, isso Ele realmente tornou possível. (Jean P. -

sexta-feira, 1 de julho de 2011

A Blasfêmia contra o Espírito Santo


“Portanto vos digo: Todo pecado e blasfêmia se perdoará aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada. Se alguém disser alguma palavra contra o Filho do Homem, isso lhe será perdoado; mas se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste mundo, nem no vindouro.” 
(Mateus 12.31-32)
Poucos tópicos bíblicos geram mais discussão do que o pecado contra o Espírito Santo. Todos parecem saber que esse tipo de falta é imperdoável, mas as opiniões diferem amplamente quanto ao que ele é.
Há quem diga que é o suicídio, uma vez que nosso corpo é templo do Espírito. Outros preferem dizer que é o adultério, pois os cônjuges estariam negando uma união abençoada por Deus. E por aí vão as divagações.
O que se tem certeza é de que, para quem comete este pecado, conforme disse Jesus, não há perdão, sendo tal pessoa acusada de cometer pecado eterno.
“Mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo, nunca mais terá perdão, mas será réu de pecado eterno.” (Marcos 3.29)
Antes de mais nada, cabe saber o significado da palavra “blasfemar”. Nada mais é do que injuriar, caluniar, insultar alguém.
Daí, a chave para desvendar qual tipo de erro é o pecado contra o Espírito fica em entender que a blasfêmia é um pecado que só pode ser feito por meio de palavras. Ela configura numa declaração sua contra a pessoa de outrem, no caso, o Espírito Santo. É um pecado que você comete com a sua boca ou escrevendo-o. Assim sendo, é um pecado verbal.
A blasfêmia contra o Espírito Santo tem a ver com o dizer algo contra Ele.
Trata-se de atribuir a ação do Espírito Santo a Satanás, ou igualando ambas ao mesmo patamar. Exemplo disso foi o que os fariseus praticaram quando Jesus realizou alguns milagres, afirmando que Ele fez tais obras em nome de Belzebu, o maioral dos demônios.
Trazendo à nossa realidade, este pecado se caracteriza quando alguém, que se declara cristão, deixa de acreditar na obra do Espírito Santo e confessa sua falta de fé através de palavras, sejam estas faladas ou escritas.
Muitos podem até estar cometendo este tipo de transgressão e nem se dão conta. É preciso uma auto-análise para que verifiquemos constantemente se não estamos faltando com o devido respeito à pessoa do Espírito Santo.
Somos responsáveis por nossas palavras e atos. O que dizemos e fazemos reflete nossa verdadeira natureza. Não há nada que saia de nossa boca que não estivesse antes em nossa mente. Precisamos, pois, vigiar nossa língua e nosso coração.