segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Jesus Cristo é alvo recorrente em polêmicas pop
A falta de temor a Cristo leva astros do Pop a darem declarações infelizes

Madonna dançou com Jesus negro e Sinead O"Connor rasgou foto de papa João Paulo em programa de TV. Na semana passada foi a vez de Elton John declarar que Jesus Cristo “era um gay superinteligente”. Cônego afirma que "os homossexuais devem ser respeitados, mas que é absurdo tentar justificar isso na figura de Jesus Cristo"

Referências a Jesus Cristo são corriqueiras e controversas no universo pop. Madonna comprou briga com a Igreja Católica ao dançar sensualmente com um Jesus negro no clipe de "Like a Prayer". Já a irlandesa Sinead O"Connor foi banida da TV americana quando se apresentou no programa "Saturday Night Live", em 1992, e rasgou uma foto do papa João Paulo 2º, dizendo: "Lute contra o verdadeiro inimigo".

Agora é a vez de Elton John colher críticas e apoio por conta de sua declaração polêmica.

"Ele claramente quis impactar. Não precisa aparecer e tem compromisso com a causa", diz André Fischer, diretor do portal GLS. "Por outro lado, qual seria o problema se Jesus fosse gay? Ele seria menos filho de Deus por isso?", desafia.

Regina Soares, doutora em ciências da religião pela PUC, avalia que o cantor usou a frase "como elemento de legitimização da homossexualidade".

Para Cônego Severino Martins, da paróquia de Assunção de Nossa Senhora, "os homossexuais devem ser respeitados, amados e ter seus direitos respeitados. Mas é um absurdo e uma loucura tentar justificar isso na figura de Jesus Cristo."

O Evangelho de São João, capítulo 13, versículo 23, descreve os momentos que antecedem cena imortalizada por Leonardo Da Vinci em "Última Ceia". Nele, São João Evangelista é identificado como o discípulo de Jesus "a quem ele amava". Em seguida, João reclina a cabeça sobre o peito de Jesus. "A cena pode insinuar algo. Para Antonio Flávio Pierucci, professor de sociologia das religiões na USP, "para quem tem malícia ou imaginação, está aí um prato cheio."

Teologia do rock não liga pra dogmas

Por Paulo Ricardo (cantor e compositor)

A música sempre esteve associada ao êxtase religioso, aos rituais, à língua dos anjos, mas é a língua dos homens que sempre nos mete em enrascadas.

Até os anos 50, os compositores compunham e os cantores cantavam. Foi a partir de Bob Dylan, dos Beatles, de Chico Buarque no Brasil, que surgiu o que os latinos chamam de cantautor, o intérprete pensante.

Esse trovador moderno, alimentado pelos textos incendiários da geração beat, chega para deflagrar a revolução de costumes, a contracultura, as canções de protesto em plena ditadura, Vietnam, a luta de classes, a questão racial. Eram muitas perguntas, e a resposta, "was blowin"in the wind" [estava soprando no vento].

"Somos mais famosos que Jesus Cristo". Com essa bravata John Lennon detonou uma nunca antes vista revolta na América cristã, a mídia conclamando os fãs a queimarem qualquer produto beatle em piras funerárias. A teologia do rock não liga pros dogmas. Lennon teve que se explicar, mas isso só aguçou ainda mais sua língua afiada, e anos mais tarde, ele cantaria que Deus é um conceito pelo qual medimos a nossa dor, na faixa "God".

O rock é, antes de tudo, liberação. Política, sexual, religiosa, liberação dos grilhões da escravidão, das barreiras entre raças, da repressão sexual, desde os bluesmen até Madonna, com "Papa, don"t Preach". O Papa é pop, e o pop não poupa ninguém. Com seus holofotes, alto-falantes e balas na metralhadora giratória, o pop reza pela sua própria cartilha, e o rebanho, ávido por um pastor, bebe cada gota de tinta despejada na imprensa. São notórios no Brasil, por exemplo, os comentários "polêmicos" de Caetano sobre qualquer coisa.

Sir Elton John não é nenhum Dylan, mas foi personagem fundamental na disseminação do movimento gay, um músico talentosíssimo, quase um Mozart moderno. Se Jesus era gay, ninguém pode afirmar com certeza, apesar do claro aspecto sexy de sua representação clássica e dos rumores constantes deste tipo de prática na igreja católica, mas inteligentíssimo, sem dúvida.

Já o que se passa debaixo das burcas no Oriente Médio, isso nem Deus sabe. Mas Elton tem direito à sua opinião. O que você vai fazer com isso, bom, aí é problema seu. Como diz em um de seus álbuns, "Don't shoot me, I'm only the piano player" [não atire em mim, sou apenas o pianista]. Ou, por Lennon, "the way things are goin", they"re gonna crucify me" [do jeito que as coisas vão, irão me crucificar]. Amém!

MÚSICA x IGREJA

BEATLES
Em março de 1966, John Lennon declarou que os Beatles eram mais famosos do que Jesus Cristo e que o Cristianismo iria acabar. A declaração chocou principalmente os EUA, onde ultraconservadores queimaram pilhas de álbuns da banda

MADONNA
O clipe da música "Like a Prayer" (como uma prece), mostrou um Jesus negro, com quem ela se envolvia, além de dançar com cruzes. A polêmica levou a Pepsi a cancelar um contrato com a cantora e a exibição de um comercial que ela tinha gravado com a marca

SINÉAD O'CONNOR
Em 1992, no programa de TV "Saturday Night Live", Sinéad O'Connor rasgou uma foto do papa João Paulo 2º e gritou "Lute contra o inimigo real"

Fonte: Folha de São Paulo

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